Intercessão pelos Reis

JCRyle-mestra-capaSermão pregado em 20 de junho de 1887

Por J.C.Ryle

1° Bispo da Diocese da Igreja da Inglaterra, Liverpool

Na Igreja de São Pedro, proto-Catedral da Diocese

Por ocasião do Jubileu de ouro da

Rainha Vitória

E publicado como o 21° capítulo do livro

Cenáculo: Algumas verdades para os tempos

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“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência” 1 Timóteo 2:1-2

As palavras que encabeçam esta página são tomadas de uma passagem da Escritura que é eminentemente apropriada para a ocasião solene que nos reúne, o Jubileu do reino de nossa amável e soberana rainha Vitória. Um Jubileu real é um evento raríssimo na história, e em toda a probabilidade humana este é o único que qualquer um de nós jamais viverá para ver, na Inglaterra. Que ponderemos sobre isto em nossos corações no culto de oração e louvor de hoje!

As palavras do texto consistem na primeira direção que Paulo ofereceu, pela inspiração do Espírito Santo, ao seu jovem amigo Timóteo concernente à conduta do culto público. “Antes de tudo” – ele afirma enfaticamente- “antes de tudo, admoesto-te que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada”.

Devo mencionar o enorme contraste entre o elaborado e minucioso ritual da Igreja do Antigo Testamento sob a lei cerimonial, e a notável simplicidade e brevidade do ritual provido à Igreja da nova dispensação. A diferença é facilmente explicada. O culto do Velho Testamento foi designado somente aos judeus; à uma única nação quase que isolada do resto da humanidade, e era cheio de tipos e emblemas das bênçãos vindouras. O culto do Novo Testamento foi planejado para todo o mundo, e como o 34˚ artigo de nossa Igreja expõe com sabedoria, “As cerimonias podem ser alteradas de acordo com a diversidade dos países, épocas e hábitos dos homens”.

Uma coisa, no entanto, é certa. A regra, ou norma, estabelecida por Paulo para a orientação de Timóteo em Éfeso, é uma regra de perpétua obrigação, enquanto o mundo durar, ou até nosso Senhor vir. Quando quer que cristãos se reunirem para um culto público, devem haver “orações e intercessões por todos os homens”, e especialmente “pelos reis”, tal como ações de graças pelas misericórdias recebidas. Você está convidado a observar esta ordenança primária neste dia.

  1. Quanto ao dever geral de orar pelos outros, considero útil declarar algo. Mas minhas palavras serão poucas.

Suspeito que o pensamento passe por algumas mentes “Qual a utilidade da minha intercessão? O que sou eu senão um devedor à misericórdia e graça de Cristo? Como pode a oração de um tão pobre pecador ser benéfica aos outros? Orar por mim mesmo consigo entender, mas não orar pelos outros”.

A resposta à tais indagações é curta e simples. A intercessão é um mandamento divino, e portanto, é nosso dever obedecê-lo. Neste, como em muitos outros casos, um homem mortal apenas crê que a luz do último dia esclarecerá a questão. No meio tempo, é melhor que o “como”, o “por que” e o “para que” sejam deixados de lado. O que não sabemos agora, saberemos posteriormente. A prática de quase todo santo na Bíblia, sobre quem muito é registrado, deve silenciar todas as objeções. Patriarcas, profetas, reis e apóstolos nos deixaram exemplos de intercessão. Sabemos mais do que eles sabiam? Pensamos que eles perderam seu tempo fazendo menção de outros diante de Deus? Somos mais sábios do que eles?

Tenho a firme convicção de que neste assunto Deus prova nossa fé e amor. Acreditamos que Deus é sábio demais para cometer erros? Então, quando Ele determina “ore pelos outros”, não fiquemos parados, raciocinando e argumentando, mas façamos como Ele nos ordena. Quando nosso Senhor Jesus Cristo afirma que a maior prova de um alto padrão de amor é “orar pelos que vos maltratam e vos perseguem” (Mateus 5:44), creiamos e obedeçamos. Sempre agradeço a Deus por nosso honroso Livro de Oração conter tão grande amostra de intercessão como a litania. Creio que somente o último dia mostrará como as orações dos eleitos de Deus afetaram a história deste mundo, e influenciaram a ascensão e queda de nações. Havia profunda verdade nas palavras da infeliz Rainha Maria dos Escoceses: “temo mais as orações de John Knox do que um exército de 20.000 homens”. Então, quando ajoelharmos para orarmos para nós mesmos, jamais esqueçamos de orar pelos outros.

II. Concernente à tarefa especial de orar pelos reis e por todos que estão investidos de autoridade, não posso deixar de comunicar algo. Mas novamente minhas palavras serão breves.

 

Uma curta reflexão nos mostrará que a injunção de São Paulo de “orar pelos reis” é singular e notável. Pois considere nas mãos de quem o governo do mundo estava na época em que a Epístola à Timóteo foi escrita. Pense sobre o monstro de iniquidade que vestia o cardinalato imperial em Roma – Nero – cujo próprio nome é um provérbio. Lembre dos governantes de províncias como Felix, Festus, Herodes, Agripa e Gálio.  Considere os líderes eclesiásticos da Igreja Judaica como Anás e Caifás. Ainda assim, esses foram os homens por quem Paulo anuncia que os cristãos deveriam orar! Seus caráteres pessoais poderiam ser ruins, mas eles haviam sido ordenados por Deus para manter alguma ordem externa neste mundo sobrecarregado de pecado. E como tais, por causa de seus cargos, eles deveriam receber orações.

Afinal de contas, nunca devemos esquecer que ninguém está em estado tão lastimável – ninguém em tão alto perigo; ninguém tão suscetível a naufragar por toda a eternidade; e ninguém necessita tanto de nossas orações como os reis do mundo. Poucos dentre aqueles que criticam a conduta deles consideram seriamente as dificuldades de sua posição.

Pense nas tentações que os rodeiam. Raramente aconselhados, pouco contrariados, quase nunca alertados, eles moram em corpos como os nossos, e possuem paixões semelhantes às nossas, e estão sujeitos a serem subjugados pelo mundo, pela carne e pelo diabo, tal como os outros homens.  Não me espanto ao ler que quando Buchanan, um dia tutor de Tiago I, estava em seu leito de morte, enviou uma mensagem ao seu pupilo real; “que ele estava para ir a um lugar para o qual poucos reis e príncipes jamais foram”. Se for verdade, como com certeza é, pois nosso Senhor pronunciou “quão difícil é para um rico entrar no reino de Deus”, quão mais difícil é a entrada de um rei!

Pense nos incontáveis nós que um rei tem para desamarrar, e nas questões embaraçosas que constantemente tem para decidir. Como harmonizar as diferenças com outros países, como promover a prosperidade de todas as classes de uma comunidade, como decidir quando apertar ou afrouxar as rédeas do governo, como selecionar os homens certos para preencher os postos vazios, como tratar de forma justa e retamente com todas as posições, sortes e condições dos homens atendendo imparcialmente à todos sem negligenciar à ninguém; todas estas são dificuldades que o pobre e falho ocupante do trono tem que enfrentar todas as semanas de sua vida. Podemos nos surpreender se ele cometer erros? Como bem expressou um de nossos poetas: “inquieta dorme a cabeça que usa uma coroa”.

Pense na imensa responsabilidade do ofício de um rei, e nos assuntos cruciais que dependem de suas decisões. Uma única falha no julgamento da administração de certa negociação, a falta de paciência ao tratar com um embaixador, uma confiança precipitada numa informação errônea, qualquer destas situações podem envolver seus súditos em uma guerra com horrendo derramamento de sangue, perdas a fora, descontentamento em casa, altos impostos, e, finalmente, talvez revolução e destituição do trono. E tudo isto pode vir do desacerto de um homem.

Sim! Por isso somos exortados a “orar pelos reis”. Se pudéssemos apenas crer que de todos os filhos de Adão eles são os que mais merecem nossa intercessão diária. Levantados acima de seus companheiros por sua posição, eles se encontram, como um viajante nos Alpes escalando o monte Cervino, terrivelmente sozinhos. Na natureza das coisas, eles não dispõe de semelhantes com quem possam abrir o coração e trocar simpatias. São rodeados por aqueles tentados a serem aduladores e bajuladores, a fim de tornar as coisas agradáveis aos ouvidos reais. Eles raramente ouvem toda a verdade. São apenas seres humanos como nós, necessitados do mesmo Cristo e do mesmo Espírito Santo. Ainda assim, espera-se que jamais falhem, e são culpados se tal suceder.

Sim! Devemos “orar pelos reis”. É fácil criticar e encontrar defeitos em sua conduta, e escrever artigos furiosos contra eles nos jornais, ou proferir discursos violentos sobre eles em plataformas. Qualquer tolo pode rasgar e lacerar um traje custoso, mas não são todos que podem cortar e costurar um. Esperar a perfeição em reis, primeiros-ministros, ou governadores de qualquer tipo, é sem sentido e irracional. Mostraríamos mais sabedoria se orássemos mais por eles, e criticássemos menos.

  1. Permitam-me agora chamar a atenção de vocês ao assunto especial que nos reúne, a saber, a celebração do Jubileu Real Inglês. Hoje mesmo, nossa amável Rainha Vitória completa 50 anos em seu reinado. Peço que me acompanhem ao olhar para trás nesse meio século que acaba de se completar. Meu alvo é apresentar a vocês, o mais breve possível, algumas das maiores razões pelas quais devemos ser um povo muito grato neste dia. Num mundo caído como o nosso sempre haverão muitos males irremediáveis, e murmuradores e reclamantes serão encontrados em todo quarteirão. Quanto a mim, só posso atestar, ao fazer uma calma retrospectiva destes últimos 50 anos, que percebo tantas causas para gratidão nacional, que acho difícil saber o que selecionar e por onde começar. Deixem-me, no entanto, tentar mencionar algumas.

(a) Primeiro e acima de todas as razões para a gratidão, menciono o caráter imaculado e inocente que nossa graciosa Soberana tem carregado durante os longos 50 anos de seu reinado. Em todas as relações da vida; como uma mãe e esposa, no alto padrão moral que manteve em sua Corte e lar, em sua escrupulosa e diligente execução das inúmeras tarefas diárias que seu alto cargo lhe impõe, em sua simpatia sem limites com as angústias de seus súditos mais humildes, onde, em toda a linha de Soberanos ingleses, encontramos alguém que possa ser comparado com nossa bondosa Rainha Vitória?

Creio que não compreendemos a crucialidade do caráter de um Soberano neste dia. O caráter de um governador, como a pressão inconsciente da atmosfera em cada polegada quadrada de nossos corpos, sempre terá uma influência quieta e silenciosa na conduta de seus súditos. As vidas de soberanos são livros abertos que todos podem ler, e o exemplo de uma cabeça coroada geralmente faz mais que decretos legais. Não há dúvida de que a enorme imoralidade na Corte Francesa no século 18 foi a verdadeira causa da primeira Revolução Francesa, e do Reinado de Terror. Durante o último meio século as fundações de não poucos governos no mundo foram rudemente abaladas, e algumas completamente derrubadas. Nada, eu suspeito, contribuiu tanto para a estabilidade do trono britânico como o alto caráter da Senhora Real que o ocupou. Um espírito revolucionário, todos sabemos, esteve amiúde no ar nos últimos 50 anos, e uma disposição para demolir todas as instituições estabelecidas, e as substituir com novíssimas formas de governo, se mostrou de tempos em tempos. A ascensão e progresso do Cartismo[1] e Socialismo amedrontou a muitos diversas vezes. Nada, acredito firmemente, manteve o navio do Estado Britânico em tal quilha tanto como a vida interna de nossa amável Rainha. Se esta fosse como as vidas de alguns dos Plantagenistas[2], Tudors ou Stuarts, duvido que o padrão real não estaria voando no Castelo de Windsor esta semana.

(b) Em segundo lugar, sejamos agradecidos pelo período singularmente longo durante o qual Deus permitiu nossa graciosa Soberana sentar no trono de seus ancestrais. De todos os reis de Judá que reinaram em Jerusalém, Uzias e Manassés foram os únicos dois que portaram o cetro por mais de 50 anos, e até os reinados de Davi e Salomão foram de apenas 40 anos. Nossos próprios reis, Henrique III, Eduardo III e Jorge III, cada um reinou mais de 50 anos. Mas, desde que o mundo começou, não sabemos de soberanas em tempos históricos, na face do globo, que usou uma coroa por tanto tempo como nossa boa Rainha Vitória. Estou certo de que não somos suficientemente gratos por isto.

Mesmo numa monarquia constitucional como a nossa, onde tudo não depende do capricho de um autocrata imperial, frequentes mudanças no trono são tidas como que exercendo uma influência perturbadora, e as ideias de um novo soberano quanto ao seu poder e tarefas nem sempre coincidem com as de seus predecessores. Há um profundo significado nas palavras de Salomão “pela transgressão da terra muitos são os seus príncipes” (Provérbios 28:2). Na história inglesa primitiva, as guerras sangrentas das rosas dissiparam a flor de nossa nobreza, e lutas entre as casas rivais de York e Lancaster frequentemente abalaram o trono, e desolaram o reino[3]. Anos mais tarde, a luta da infeliz `Comunidade` derrubou por um tempo nossas instituições há muito estabelecidas. Feliz é a terra onde há poucas mudanças no trono. “Longa vida à nossa Soberana” e “Deus salve a Rainha” deveria ser a oração diária de todo patriota britânico.

(c) Em seguida, agradeçamos a Deus pelo enorme enriquecimento e prosperidade nacional pelos quais o reinado da Rainha Vitória se distingue. É um simples fato, que em nenhum período anterior de 50 anos na história inglesa algo similar aconteceu. Para usar uma frase conhecida, o capital ou renda de nosso país se moveu “aos trancos e barrancos”. Apesar de ciclos ocasionais de maus tempos e depressão comercial,-apesar das caras e sangrentas guerras, tais como a Guerra da Crimeia e o Motim Indiano[4], apesar dos castigos providencias, como a cólera e a escassez de batatas irlandesas, o progresso e enriquecimento da nação foram algo espantoso. As ondas na margem parecem ter ido e vindo, avançando e recuando, mas no geral a maré esteve subindo de forma estável todos os anos. Em 1837, a soma do dinheiro depositado nas poupanças era de apenas 14 milhões. Ela é agora de 90 milhões. Em 1843, quando o imposto de renda foi instituído pela primeira vez, cada centavo de libra resultava em 772.000 libras para o Tesouro Nacional. Em 1885, cada centavo produzia 1.992.000 libras. Em 1843, o valor estimado de terrenos e construções era de 95 milhões. Em 1885, chegava a 180 milhões. O valor estimado de ofícios e profissões em 1843 somava 171 milhões de libras. Em 1885, 282 milhões. A população do Reino Unido era de 25 milhões em 1837. E agora, apesar da fome irlandesa e uma incessante emigração, atinge os 37 milhões. Na nossa própria cidade de Liverpool, a população em 1837 equivalia a apenas 246.000. Agora, incluindo os subúrbios, 700.000. A carga de navios no nosso porto em 1837 era de apenas 1.953.894 toneladas. Hoje, é de 7.546.623 toneladas. O número de navios entrando totalizava 15.038, o que agora tornou-se 21.529. Em 1837, Liverpool possuía 9 docas, com uma fachada para o rio de 4 km. Há agora mais de 50 docas e bacias com uma extensão de 9.5 km. Em 1837, as taxas das docas de Liverpool somavam 173.853 libras. Elas atingem agora 694.316. De fato devemos ser gratos. Este é o dedo de Deus. É “a benção do Senhor que enriquece”- “Tanto riquezas como honra vem Dele” (Provérbios 10:22; I Crônicas 29:12).

(d) Ademais, devemos ser gratos pelos avanços extraordinários da ciência durante o último meio século do reinado de nossa graciosa Soberana. Cruzamos o Atlântico com nossos navios a vapor, e trouxemos nossos primos americanos às nossas margens dentro de uma semana, algo que bem me lembro o Dr. Lardner declarou ser impossível. Cobrimos a terra com redes de estradas, tornando jornadas que levavam dias de viagem em algumas poucas horas. Abrimos a comunicação com todas as partes do mundo através do telégrafo elétrico, e podemos enviar mensagens que tomariam meses para serem transmitidas em apenas algumas horas.

Todas estas coisas, e diversas outras, brotaram, germinaram e floresceram desde quando a Rainha Vitória ascendeu ao seu trono. Elas contribuíram de forma imensa para o conforto e conveniência da vida moderna e praticamente aniquilaram tempo e espaço, prolongando a vida e nos permitindo realizar uma quantidade de trabalho em 24 horas, que nossos avós considerariam quixotesco, romântico, absurdo e impossível. Mas estes são meros fatos. Com certeza devemos ser gratos.

(e) Por último, e acima de tudo, devemos ser muitíssimo gratos pelo gigante avanço que a causa da religião, educação e moralidade experimentaram durante o reinado da Rainha Vitória. A natureza humana, é claro, não foi transformada. O milênio não começou, e o mal abunda. No entanto, um homem precisa ser cego e obstinadamente preconceituoso para não notar uma enorme mudança para melhor, no que se refere tanto à devoção a Deus como ao amor ao próximo por todo o país, neste último meio século. A construção de igrejas, sem dúvida, não é tudo, e tijolos e argamassa não constituem a religião. Ainda assim, o simples fato de 2.000 novas igrejas, ao lado das capelas não-conformistas, terem sido construídas na Inglaterra e em Gales nos últimos 50 anos, por esforços voluntários, e aproximadamente 30 milhões de libras terem sido gastas para reformar antigos lugares de adoração e construir outros novos, fala em voz alta. Aqui em Liverpool e nos subúrbios, havia apenas 36 igrejas e por volta de 70 clérigos em 1837. Neste momento há 90 igrejas e 185 clérigos. Em 1837, a renda da Sociedade Missionária da Igreja somava 71.000. Agora chega a 232.000. A Sociedade de Auxílio Pastoral recebia apenas 7.363 libras. Recebe agora 50.122. Em 1837, apenas 58.000 crianças recebiam educação em todas as escolas nacionais e nas Sociedades de escolas estrangeiras por toda a Inglaterra e Gales. Em 1885, havia por volta de 4.000.000 sob instrução e inspeção. É um fato espantoso que durante o meio século do reinado da Rainha Vitória, seu governo investiu 50 milhões em educação.

Quanto aos trabalhos filantrópicos e os esforços para promover a moralidade, me faltaria tempo para apontá-los. O empenho de homens como o Lorde Shaftesbury e outros melhorou as condições das classes trabalhadoras em cem por cento. A lei das 10 horas na fábrica, a legislação sobre mulheres e crianças trabalhando em minas, a criação de escolas de caridade e reformatórios, a ascensão e progresso do movimento de temperança[5], os muitos esforços para aperfeiçoar as condições das classes trabalhadoras pela educação, o saneamento, os parques públicos, as áreas de recreação, tudo isto se originou nestes últimos 50 anos. Eu lhes chamo sintomas saudáveis da nossa realidade como nação. Confesso humildemente que ainda somos muito imperfeitos. Ainda há uma vasta quantidade de improvidência, pobreza intencional, bebedices, impureza e violação do Domingo na terra, o que deve ser lamentado profundamente. Mas estes males são menores do que eram em proporção à população. E, de qualquer forma, os observamos, os conhecemos, e estamos usando meios para preveni-los. Decerto nossos corações, quando comparamos 1837 com 1887, deveriam se encher de gratidão.

Num dia como este é conveniente, certo e nossa tarefa imperiosa louvar a Deus. Deixem-me suplicar seriamente àqueles a quem hoje me dirijo para tornarem-se das nuvens negras em seus horizontes, para olhar para o céu azul, e agradecerem. Onde está a nação na face da terra que possui tantas razões para agradecer a Deus pelos últimos 50 anos como a Grã- Bretanha? E quem pode negar que, ao considerar as bênçãos deste período, temos motivo para agradecer a Deus pelo sábio e beneficente reinado de nossa Rainha? Há nomes na longa linha de reis ingleses que nenhum cidadão consegue pensar sem se envergonhar. A memória de William, Henrique, Eduardo, James, Charles ou Jorge é de forma alguma sempre prazerosa. Mas duvido que um historiador futuro jamais registre o nome de um monarca cujos súditos terão desfrutado de tão grande causa para serem gratos como nós pela Rainha Vitória.

E agora adicionemos à esses louvores e ações de graças uma séria oração para que a vida de nossa amada Soberana seja preservada por ainda muitos anos, e que esses sejam anos de felicidade e utilidade crescente até o fim. Todos sabemos que ela passou por muitas situações pesarosas. As mortes do príncipe Albert, da princesa Alice e do duque de Albany foram provas esmagadoras que jamais serão esquecidas. Oremos para que ela seja privada de aflições semelhantes, e que continue a viver sob as afeições de um povo próspero, unido e satisfeito, e que quando for removida deste mundo de angústia, que ela entre no reino onde as lágrimas serão removidas de todos os olhos, e receba uma coroa de glória que é a única que jamais perece.

 

ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES

FONTE:
Traduzido de

http://www.ccel.org/ccel/ryle/upper_room.xxiii.html

Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público

Tradução: Rodrigo Miziara

Revisão: Jéssica Moraes

Capa: Salvio Bhering

Projeto Ryle – Anunciando a Verdade Evangélica.

Projeto de tradução de sermões, tratados e livros do ministro anglicano John Charles Ryle, mais conhecido como J.C.Ryle (1816-1900) para glória de Deus em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação e conversão de incrédulos de seus pecados.

Acesse em: www.projetoryle.com.br

 

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[1] Cartismo caracteriza-se como um movimento social inglês que se iniciou na década de 30 do século XIX. Inicialmente fundou-se na luta pela inclusão política da classe operária, representada pela associação Geral dos Operários de Londres (Wikipédia)

[2] Plantageneta é o sobrenome de um conjunto de monarcas britânicos, conhecidos como Dinastia Plantageneta ou Angevina (de Anjou), que reinaram em Inglaterra entre 1154 e 1399. O nome tem na sua origem a giesta (plant genêt em Língua francesa), que o fundador da casa Geoffrey V, Conde de Anjou escolheu para símbolo pessoal. (Wikipédia)

[3] A Guerra das Rosas ou Guerra das Duas Rosas foi uma série de lutas dinásticas pelo trono da Inglaterra, ocorridas ao longo de trinta anos (entre 1455 e 1485) de forma intermitente, durante os reinados de Henrique VI, Eduardo IV e Ricardo III. Em campos opostos encontravam-se as casas de York e de Lencastre, ambas originárias da dinastia Plantageneta e descendentes de Eduardo III, rei da Inglaterra entre 1327 e 1377. (Wikipédia)

[4] Motim Indiano. Referência a Revolta dos Cipaios, ocorrida entre 1857 e 1858.

[5] Movimentos de temperança eram comuns nos EUA e Inglaterra nesses dias. Nos EUA resultaram na lei Seca. (Nota do revisor)

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