Arquivo mensais:setembro 2012

Temores Apostólicos

18º capítulo do livro “Nós desatados”, escrito por

J.C.Ryle

1º Bispo da Diocese da Igreja da Inglaterra em Liverpool

 

“O que receio, e quero evitar, é que assim como a serpente enganou Eva com astúcia, a mente de vocês seja corrompida e se desvie da sua sincera e pura devoção a Cristo” (2Coríntios 11.3).

O texto acima contém parte da experiência de um famoso cristão. Talvez nenhum servo de Cristo tenha deixado semelhante marca para o bem do mundo como o Apóstolo Paulo. Quando nasceu, todo o império romano, com exceção de uma pequeníssima parte, estava submerso nas trevas do paganismo; quando morreu, o tremendo conglomerado pagão havia sido sacudido em seu núcleo e já estava a caminho da ruína. E nenhum dos instrumentos que Deus utilizou para produzir essa maravilhosa mudança fez mais do que Saulo de Tarso depois de sua conversão. No entanto, mesmo em meio a tanto sucesso e utilidade para Deus, podemos ouvi-lo clamar: “Receio!”.

Tal clamor possui uma melancolia que exige a nossa atenção. Quem pensa que Paulo teve uma vida cômoda por ser um Apóstolo, por ter feito milagres, por ter fundado igrejas e por ter escrito epístolas inspiradas pelo Espírito Santo, tem muito o que aprender. Nada mais longe da verdade! O capítulo 11 de 2 Coríntios conta uma história muito diferente. Esse capítulo merece um estudo cuidadoso. Em parte devido à oposição dos pagãos, filósofos e sacerdotes, cujo ofício estava em perigo, em parte devido à amarga inimizade de seus próprios compatriotas descrentes, em parte devido aos irmãos falsos ou fracos, em parte devido ao seu próprio aguilhão na carne, o grande Apóstolo dos gentios era como seu Senhor: “um homem de dores e experimentado no sofrimento” (cf. Is 53.3). Continue lendo

Retende o que é bom

Tratado escrito por

J. C. Ryle

Clérigo e Bispo na Igreja da Inglaterra

Leitor,

Há poucas coisas na religião as quais os homens estão tão prontos para esquecer quanto o dever de “lutar seriamente pela fé” e reter o que é verdade.

Controvérsia raramente é popular. Muitos preferem uma vida religiosa sossegada.  Homens não gostam de qualquer coisa semelhante a conflitos, problemas, lutas e esforço. Eles darão muitos de seus pretextos enganadores para assegurar a paz. Eles são aptos a esquecer que paz a custa da verdade, não é digna. Em resumo, eles precisam se lembrar das palavras de ouro de Paulo: “retende o que é bom.” (1 Tess 5:21). Continue lendo

O Poder do Espírito Santo

Tratado escrito por

J.C.Ryle

 

LEITOR,

Há esperança no Evangelho a qualquer homem, enquanto ele viver. Há infinita boa vontade em Cristo para perdoar pecados. Há infinito poder no Espírito Santo para transformar corações.

Existem muitas doenças do corpo que são incuráveis. Os doutores mais sábios não podem curá-las. Mas, graças a Deus! Não existem doenças incuráveis da alma. Todas as espécies e quantidades de pecados podem ser lavados por Cristo. O mais difícil e perverso dos corações pode ser mudado.

Leitor, eu digo novamente, enquanto há vida, há esperança. O mais velho, mais vil, o pior dos pecadores pode ser salvo. Apenas deixe-o vir a Cristo, confessar seus pecados, e clamar por perdão – apenas deixe-o lançar sua alma em Cristo, e ele será curado. O Espírito Santo será enviado ao seu coração, conforme a promessa de Cristo, e ele será transformado pelo seu grandioso poder, em uma nova criatura. Continue lendo

Idolatria

19º Capítulo do livro “Nós desatados”, versão de 1878, escrito por

John Charles Ryle

Clérigo e Bispo da Igreja da Inglaterra

 

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“Fujam da idolatria” (1Co 10.14).

À primeira vista pode parecer que o texto que encabeça esta página não seja necessário na Inglaterra. Numa época de educação e inteligência como a nossa, quase podemos chegar à conclusão de que é perda de tempo dizer a um inglês que “fuja da idolatria”.

Atrevo-me a dizer que pensar assim seria um grande erro. Creio que vivemos num tempo em que a questão da idolatria encontra-se bem perto de nós, ao nosso redor e mesmo entre nós. Em poucas palavras, o segundo mandamento está sendo transgredido.

Sem mais preâmbulos, proponho que consideremos os seguintes quatro pontos:

I. Definição de idolatria. O que é?

II. A causa da idolatriaDe onde provém?

III. A forma que a idolatria adota na Igreja visível de CristoOnde está?

IV. A abolição definitiva da idolatriaO que acabará com ela? Continue lendo

Conversão

Nono capítulo do livro “Caminhos Antigos”, publicado em 1878

Por J. C. Ryle

1º Bispo da diocese da Igreja da Inglaterra em Liverpool

“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos” Atos 3:19

O assunto responsável pelo título desse sermão toca toda a humanidade. Ele deve ser tratado em todos os lares de todas as classes, altas ou baixas, ricas ou pobres, velhas ou novas, nobres ou simples. Qualquer pessoa pode ir para o céu sem dinheiro, classe ou aprendizado, mas ninguém, entretanto, mesmo sábio, rico, nobre ou belo, jamais chegará ao céu sem converter-se.

Existem seis pontos de vista que gostaria de considerá-los aqui. Tentarei mostrar que conversão é:

I. Bíblica

II. Real

III. Necessária

IV. Possível

V. Venturosa

VI. Algo que pode ser percebido. Continue lendo

Céu

Tratado escrito por

J. C. Ryle

E publicando quando ele era reitor e pastor em

Helminghan, Suffolk, Inglaterra

 

LEITOR,

Há uma gloriosa habitação provida por Jesus Cristo para todos os que Nele crêem. O mundo presente não é o seu lugar de descanso: aqui, eles são como peregrinos e estrangeiros. O céu é o seu lar.

Haverá um lugar no céu para todos os pecadores que se refugiaram em Cristo pela fé, e confiaram Nele: seja para o menor ou para o maior. Abraão cuidou em prover habitação para todos os seus filhos, e Deus cuida em providenciar para os Seus. Nenhum deles ficará sem herança; nenhum ficará exilado; nenhum será deixado de lado.  Cada um terá o seu lugar, e a sua porção, no dia em que o Senhor trouxer muitos filhos para a glória. Na casa de nosso Pai há muitas moradas.

Leitor, eu quero que você vá para o céu quando deixar este mundo. Eu quero que o céu esteja bem cheio, e que você seja um dos que lá vão morar. Ouça-me por alguns instantes, enquanto lhe falo algo sobre como é este lugar. Continue lendo

Apenas um Caminho

Tratado escrito por

J.C.Ryle

1º Bispo da Diocese Anglicana de Liverpool, Inglaterra

 

 

“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” Atos 4: 12.

Essas palavras são impressionantes, mas conseguem ser ainda mais, depois de considerarmos quando e por quem foram pronunciadas.

Foi um cristão pobre e desamparado quem as falou, no meio de um perseguidor conselho judaico.  Essa foi uma verdadeira confissão a Cristo.

Tais palavras foram balbuciadas dos lábios do apóstolo Pedro.  Algumas semanas antes disso, esse mesmo homem abandonou Jesus e fugiu;  além de negá-lo três vezes.  Há um novo espírito nele, agora.  Ele se levanta corajosamente diante de sacerdotes e saduceus, dizendo-lhes a verdade, “Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. E em nenhum outro há salvação,  porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”.

Não preciso dizer-lhes que esse texto é um dos principais alicerces no qual o artigo dezoito dos Trinta e Nove Artigos de Religião da Igreja Anglicana foi alicerçado.

Eis o artigo: “Devem ser também tidos por amaldiçoados os que se atrevem a dizer que todo o homem será salvo pela lei ou seita que professa, contanto que seja cuidadoso em modelar sua vida segundo essa lei e o lume da natureza. Porque a Escritura Santa somente nos propõe o nome de Jesus Cristo, como único meio pelo qual os homens se hão de salvar.”[1]

Há poucas afirmações tão fortes quanto essa nos Trinta e Nove Artigos.  Ela é a única anátema proclamada pela confissão de nossa igreja de uma ponta à outra.  O Concílio de Trento, em seus decretos, anatematiza continua e seguidamente; a Igreja da Inglaterra, apenas uma vez.  Entretanto, ela o faz fundamentada no estudo das palavras proferidas pelo apóstolo Pedro.

Considerando esse assunto, há três observações a serem apresentadas.

I. Primeira, expor a doutrina pregada pelo apóstolo.

II. Segunda, expor as razões por que essa doutrina é correta.

III. Terceira, expor as consequências que surgem junto com a doutrina.

I. Primeiro, deixe-me apresentar a doutrina do texto. Continue lendo